segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ourivesrock-um blog sobre ourivesaria


Blog do meu amigo Ângelo, um SENHOR OURIVES!  Tudo sobre ourivesaria. Saudades!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

RITA BITTENCOURT -"No infinito do meu pranto" - Joia autoral

 
Ah, não sabes que choro por ti,
pelos tempos que se anunciam,
pelos sóis perdidos
e luares eternizados no infinito.
Não sabes que choro por ti
quando minha face é só riso
mas o sangue que corres nas veias
gela minha entranhas.
Não sabes que choro por ti
quando velo teu sono
e vigio teu despertar
como um perdido na noite
que aguarda o dia
após a eternidade negra...
Não sabes que choro por ti
quando nem rezar  sei mais...
Não sei rezar mais por ti, nem por mim
e estou assim desde tempos, sem sossego,
à espreita. Bicho acuado...  

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Rita Bittencourt - Brincos "Olhar de Verão" - Joias Contemporâneas

Quero teu olhar ensolarado
como dias reverberados, de verão intenso.
Andas com olhar invernal, com pressa, qual vento sul redemoinhando
e não enxergas minha alma que canta...
Como um pássaro, canta por ti, por teus caminhos, por teu afeto,
canta por tantos, tantos afetos...
 Às vezes, canto de pássaro no fundo da gaiola, mas canta.
 Canto triste...
Um dia talvez, todos voltem, talvez tu voltes e deites em meu colo
tua cabeça de negros cachos aparados
rente, como usa-se por aí...
Talvez nos abracemos todos, de verdade.
E afagarei teus cabelos e beijarei tua cabeça.
Talvez me beijes, como antigamente, 
talvez inda dê tempo, antes do inverno...
 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rita Bittencourt - "PRESENTES DE NATAL"

      Sempre fui louca pelo Natal. Por essa magia que paira no ar e nos enleva e transforma e nos torna bons e crianças, e generosos, e entusiasmados. Por uns tempos esquecemos  as mágoas e dificuldades e vamos em frente com alegria.
      Meu Deus, como já fui feliz! Quantos natais maravilhosos, cheios de árvores, de renas imaginárias, de bolas coloridas, de estrelas brilhantes, de risadas roucas de Papai Noel! Quantos natais encantados cheios de magia e inocência, de esperas furtivas, de noites de sonhos! Eram simples mas tinham magia. Éramos pobres e felizes. Tínhamos uns aos outros...
Tinham sapatinhos nas janelas sim,  que limpávamos e engraxávamos para agradar Papai Noel. Tinham cartinhas para o Polo Norte, cheias de juras de amor ao bom velhinho e de mentiras a respeito do nosso comportamento nem sempre impecável. Pedidos possíveis e impossíveis. Histórias maravilhosas...
      Num Natal, minha irmã Cristina, pediu que nossa cadela Bolinha  " ficasse com a barriga cheia de cachorrinhos". Sorte! Bolinha pariu, na véspera do dia 25, uma ninhada de seis. Maravilhosos bichinhos! O presente sobrou para todos: Noites indormidas na solidariedade de ajudar Bolinha a cuidar das crias. Tetas  não davam conta de tantas mamadas... Mamãe fazia mamadeira de leite aguado... cachorrinhos se enroscando pelas nossas pernas com olhinhos fechados, tateando o mundo. Maravilhosos viralatinhas  que jamais  permitimos que saíssem de nossas beiras, por maiores que fossem os protestos de mamãe, mulher prática, decidida, vencida nessa luta, com a ajuda poderosa do papai que enchia mamãe de beijos e amolecia o coração dela piscando, de soslaio, pra gente. Nós, meninas exercemos, junto com Bolinha, o ofício de mãe. De cachorrinhos, é bem verdade, mas como verdadeiras mulheres e mães que nos tornamos. Solidárias,   amigas de nossa cadela que sempre foi a amiga de todas as horas e folguedos... Assim, aprendemos a ser amigos dos amigos, solidárias, presentes, felizes, felizes, felizes... Presente inesquecível!
      Noutro Natal, pedi uma caixa de lápis-de-cor com todas as cores que existissem. Queria ser pintora e pintar o mundo! Ganhei uma caixa de seis cores e, por muito tempo, aquelas foram para mim todas as cores do universo: azul, amarelo, vermelho, verde, branco e preto. Depois descobri que estas eram, mesmo, todas as cores do universo. Misturadas formariam todas as outras. Fui tão feliz com meus lápis... Meu Deus, como foram preciosos...
      Noutro Natal Regina pediu um pônei - morávamos no interior, quase roça, nos confins da Bahia, papai, um aventureiro que carregava sua família sagradamente para  onde lhe impelia seu ofício. Papai trouxe-lhe um filhote de jegue, emprestado por uns dias, de um amigo. Questionamos - "Mas, papai, isso é um jumento"! - Papai, esperto e enganador, retrucou: - "Não é. É só um pônei desengonçado e aproveitem pois o Papai Noel só o emprestou!" Não é preciso dizer que o nosso jumentinho foi o "pônei" mais maravilhoso que poderiam ter, três menininhas sonhadoras... Até que ele se foi...
      Noutro Natal Cristina ganhou uma franguinha que chamou Cocó. Queria pintinhos... E por muitos e muitos meses, colocou  a Cocó para "cruzar" com a pata. A pobre da Cocó já não aguentava mais aquele ritual de carregar a pata nas costas. Decididamente, nunca se amaram! Ganhamos, noutro Natal, três anáguas com grossas barbatanas na barra. Vieram de uma" Papai Noel" lá da cidade, de uma tia metida a estilista. Vitória, "cidade grande"... Parecíamos três abajures! Vestidas iguaizinhas, vestidos bordados pela mamãe, rabinhos-de-cavalo  e franjinhas emplastadas de sabonete para domar a rebeldia dos cachos. E felizes portadoras das "peças íntimas" mais cobiçadas  do vilarejo, orgulhosas, rodopiando com nossos vestidos, que nem baiana de escola de samba... E crescemos assim, carregadas de sonhos...
      O máximo, no entanto, foi nossa cabaninha de chocolates. Que tomaríamos posse um dia, disse papai... era uma questão de tempo, os negócios, viagens, etc. e tal... Ele, na Noite de Natal, lindo, solene, emocionado, com seu discurso mágico e encantador, nos descreveu o lugar, no meio de uma floresta distante, a casinha tosca feita de doces, as portas e janelas de lascas de chocolate, o telhado de suspiros, as paredes encrustadas de jujubas... Amo jujubas até hoje e elas ainda são mágicas... Ah, das torneiras saiam Q-suco. E sonhos... E por muito tempo papai "protelou" a nossa "posse" até que, maiorzinhas, e já espertas, paramos de cobrar para que o sonho não morresse. Queríamos que nossa cabaninha ficasse lá, nos aguardando para tomar posse um dia... O que nenhuma de nós jamais ousou! Anos mais tarde, mamãe nos confidenciou que aquele foi o Natal mais "duro" da nossa história, cheio de dificuldades financeiras, papai quase falido... Entretanto, o mais encantador, o mais rico e o mais fascinante presente que três menininhas amadas poderiam almejar. Papai nos ensinou a sonhar!
Presentes maravilhosos que contribuíram para que três mulheres, hoje maduras e mães, pudessem seguir pela vida cultivando asas, perseguindo sonhos e acreditando que o importante mesmo, é a essência. Por isso, desejo que nesse Natal todos cavalguem seus "pôneis" desengonçados, que descubram que as cores do universo não precisam ser infinitas, que tenham a sorte de ver uma ninhada de cachorrinhos , que almejem pintinhos e que, sobretudo, sobretudo mesmo, jamais tomem posse de determinados sonhos.
                         Rita Bittencourt - Do livro "As Lágrimas de Maria" - Contos, Crônicas e Poesias
            Isso foi escrito há  anos mas, hoje dedico esse quase Conto de Fadas, para minha neta, Maria Eduarda, já com onze anos, desejando que seu pai, meu filho, possa lê-lo também... 
    

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Rita Bittencourt - "ORAÇÃO"

Ó Mãe, Maria, Mãe de Deus e de todos nós
devolve a minha mãe por um dia.
Sabes do sofrimento da orfandade de mãe e de filho...
Dê-me uma noite pra prosar com ela,
 inteira e longa, de sono profundo,
e que ninguém me acorde,
nem o vento uivante ou trovões,
ou o claro ofuscante dos raios,
 ou batidas na porta fora de hora,
 ou o frio, ou a fome, ou a sede, ou a dor...
E que ela me ensine a bordar aquele ponto de nó
que nunca liguei de aprender,
que me diga a receita da cocada branca macia
que eu tinha na conta de que nunca iria precisar...
E que a gente gargalhe costurando um vestido rodado,
azul,  que nem o primeiro que ela me ensinou.
Quero contar notícias das meninas, do papai, de nós.
 Preciso d'alguns conselhos e ouvir a voz tão linda dela.
 Pode ser até um  canto triste, de amor impossível...
Nessa noite, pode ser...
 Quero saber como é o céu...
 E que nessa noite nos permita os beijos guardados
- todos!-
 e um abraço  apertado, de despedida,
pra sossegar meu peito agoniado e inflamado de pranto.
 Pra que, finalmente, a paz amanse meus dias
 e pra que minha alegria deixe de ser espreitante
como um olhar num buraco de fechadura... 
Ó Mãe, Maria, Mãe de Deus e de todos nós
me dê atenção e me mande esse sonho.
Amém!


"ENCANTADA" - Um Conto de Fadas - Rita Bittencourt

                     Ninamenina, uma aprendiz de fadinha, brincava de fazer mágica. Dessas, simples, de transformar cores, de colocar asas em bichos que não voam, de embelezar lagartas feias, de consertar patinhas machucadas de bichinhos arteiros, de dar asas a cobras...
                      Ninamenina sonhava em casar-se e usava sempre um diadema  de prata e pérolas e um véu longo  e branco que a fazia flutuar. Um dia, no meio de uma mágica com borboletas, que eram negras ,emaranhada numa revoada delas, resolveu colori-las. Pincelou-as de cores. As do Arco-Iris. Algumas escaparam e permaneceram negras pois pintar borboletas em voo é fogo! Ainda treinando, decidiu faze-las  estátuas. Parou o voo das borboletas, parou os bichinhos da terra, os pássaros no ar, parou o vento... E, num descuido irreparável, virou a varinha mágica para si mesma e transformou-se em estátua. Ficou assim, uma noiva incompleta, com um véu salpicado das borboletas que coloriu. Estática, puro espanto... Talvez um noivo quebre o encanto, talvez permaneça assim para sempre, mas creio que seu coração ainda bate emoção. Está apenas ENCANTADA...
                                                                  Rita Bittencourt

     Foto realizada pela equipe de fotógrafos da Casa Design 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Brincos "Azulejaria" - Rita Bittencourt - Joaçheria Contemporânea

Donde viestes
louça antiga?
Enfeitar belas por cá,
trazer notícias de lá,
doutras plagas...
Brincos confeccionados em laca japonesa e círculos recortados de
 pratos de porcelana inglesa, antigos. Prata, resina, e lápis-lazúli.

"Borboleta com Poás" - Colar- Rita Bittencourt - Joialheria Contemporãnea

Ela lá, estática, quase mimetizada,
 aguardava a hora do voo
que deu-se ao cair da noite
no silêncio solene
do descanso...
Foto dos profissionais da CASA DESIGN.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

CASA DESIGN 2013 - Rita Bittencourt - Joalheria Contemporãnea

ENCANTADA - Um conto de fadas
A Joalheria foi inspirada num conto de fadas escrito para o espaço, onde uma  atrapalhada aprendiz de fadinha, que voeja com um véu branco por aí, resolve pintar borboletas que pousam por toda parte, de todas as cores e tamanhos. A ideia é encantar adultos e crianças, mostrar uma joia às vezes  lúdica, às vezes forte, visivelmente orgânica, geralmente peças únicas, feitas para mulheres mais madura, que ousam, desafiam, que amam a arte, as cores e o fazer manual. Dessa forma não tenho compromisso com tendências, escola, acontecimentos. Apenas com minha alma ENCANTADA.
Praça N. Sra. de Lourdes,  345 - São Francisco - Niterói. Subida do Parque da Cidade
De 13/09 a 27/10/2013
Quarta a sábado de 13:00 às 22:00h
Domingo de 10:00 às 20:00h.
Estão todos convidados!
Ingressos : R$ 30,00 - Meia, R$15,00 - Serviço de vans, gratuito, na Praça N. Sra. de Lourdes até a Casa Design
Foto Rita Bittencourt
 

CASA DESIGN 2013 - Rita Bittencourt - Joalheria Contemporânea

Atendimento a clientes. Paredes em estuque veneziano confeccionado pela empresa Marco Polo Revestimentos.

CASA DESIGN 2013 - Rita Bittencourt - Joalheria Contemporânea

Os móveis pintados artesanalmente, com lápis de cor.

CASA DESIGN 2013 - Rita Bittencourt- Joalheria Contemporânea

CASA DESIGN 2013
Rita Bittencourt - Joalheria Contemporânea
Minha Joalheria em Niterói, cidade linda e acolhedora!
 

domingo, 18 de agosto de 2013

Brincos "Renda"

 
Renda-me
renda minha.
Rende as fímbrias
do meu pensar,
pincele de delicadezas
meu olhar
para que minhas mãos
rendam-se a sua beleza
e a transforme em joia.
Rendo-me...
 
Brincos confeccionados em ouro, prata, pérolas e turmalina melancia. Utilizei uma nova técnica de texturização, nascida de um erro. Trabalho meticuloso e delicado... Viva!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

"Folhas Negras" - Joalheria Contemporânea - Rita Bittencourt

 
Gosto delas assim, enegrecidas,
como se colhidas da terra,
 que, generosa,
 as empresta
 do seu sustento...
E quando uma mulher sai por aí
com elas a oscilar, ganham vida.
Baila no ar o perfume de mulher, inconfundível,
mesclado com o perfume de folha e terra.
Uma procissão acompanha seu caminhar
meio encantada.
Ela segue em frente, sem saber... 
 


terça-feira, 9 de julho de 2013

"Feitiço" - Rita Bittencourt

 
 
 
                      Ele colocou-lhe um feitiço, dos brabos, de amor, coisa de muito gostar... E aquela mulher linda, que, até o amava um pouco, mas não era coisa de casar, vestiu-se de noiva... E beijos de paixão foram muitos, de submissão  - tantos! - de enfeitiçamento, todos! E ao observar aquela mulher que se dava aos poucos, pela metade, partida, um pouco dele, outro tanto não, quis deixa-la partir para  que ambos fossem felizes. Mas morreu o feiticeiro levando com ele o feitiço e a forma de o desfazer... Foram infelizes para sempre, agarrados a pedaços um do outro, presos em gritos e lamentos e uivos de quase amor sem que nunca fosse. Morreram velhos, brigando, desencontrando-se, deixando uma prole triste que nunca entendeu o porquê daquilo que chamavam doença. Foram todos infelizes. Herdaram o gen...
 
 
Velha Sará, anjo da minha infância, misto de babá e cozinheira, que o melhor que nos deixou foram seus relatos, às vezes inventados, outros, acontecidos, repetiu várias vezes essa história, entremeada de lamentos e quase lágrimas... Muitas vezes chorei por essa família triste e ela me aconchegava em seus seios fartos e eu podia ouvir o seu coração pulsar acelerado.  -"Chora não, minha menina, vou contar a história do saci"...

sábado, 29 de junho de 2013

Rita Bittencourt - Autora de Joias

Hoje eu iria poetar tristezas. Fica aqui a alegria da flor...

sábado, 15 de junho de 2013

"Pra quando o Carnaval chegar"

 
Quando o Carnaval chegar
vou te abraçar e te beijar
envolta em verdes plumas
e olhar esfumaçado de esperas.
E meus beijos, serão de amor, meu amor,
e de saudades do que veio e virá
e de saudades do que jamais virá...
 
Anel em prata oxidada, ouro e penas de galo. Confeccionado com técnicas tradicionais de ourivesaria, tapeçaria e bordado. Mesmo que repetidas as peças são, sempre, únicas devido às características de materiais e confecção.

Esta peça, bem que poderia chamar-se " Cisne Verde, Cisne Negro". Meio triste, carreguei na oxidação, as plumas, escolhi as mais escuras, os dedos, furei várias vezes ao uni-las, num bordar sem fim, e a montagem foi desfeita duas vezes pois sempre "faltava" uma peninha a mais, no centro. Exausta, após um dia, inteirinho, dedicado ao anel, quando saí deixei a janela do atelier aberta e ao chegar no dia seguinte, o anel parecia o "Patinho Feio" saído do ovo. Aí, já era outro dia, a tristeza havia ido embora e alisei cada peninha sob o secador até que ganhassem vida.  Portanto, poderia, também, chamar-se, simplesmente, de CISNE!


terça-feira, 28 de maio de 2013

Brinco "FOLHA SECA" - Rita Bittencourt - Autora de Joias

 
VEJO DEUS
 
Folhas que caem, secas,
na hora certa de cair,
sopro de Deus.
Observo quando passam,
bailando, por mim,
tangidas pelo vento.
Acompanho o rumo que tomam,
encantada...
Como pássaros, voam,
ganham os céus
 e tombam de volta à terra,
cevando-a para novos
renascimentos.
Nesse momento, ORO,
pois é a hora que VEJO Deus!