terça-feira, 31 de dezembro de 2013

"NÃO IMPORTA, A ÁRVORE" - Rita Bittencourt

 
        Um homem estacionava seu caro todas as manhãs, embaixo duma árvore frondosa e florida. Sombra farta e fresca, carroceria salpicada de florinhas vermelhas - flamboyant... Á tarde, pegava seu carro e partia célere, o carro arejado, deixando as flores caírem pelo caminho. Era olhado com um certo romantismo pois passava salpicando o solo das flores que voavam - flores de um vermelho coral típico daquela árvore - até sumir na curva... Era tido como um homem bom, era amado pelas flores que deixava para trás, pela constância dos hábitos, pela aura de encanto que tudo isso lhe conferia. Certo dia, à tarde,  ao chegar,  a árvore que estava bichada jazia no solo, separada em pedaços, para o lixo. Por segurança - sabem como os flamboyants apodrecem, foi tombada. E aquele homem que aproveitou-se anos e anos da sua sombra e da alegria de suas flores, começou a esbravejar e chutar  os tocos estocados e a lamentar como seu caro estava quente e sujo. E a limpar com raiva  as flores vermelhas que coalhavam a carroceria do seu carro. Saiu desembestado e nenhuma flor voejou atrás como borboletas. Nunca mais voltou. É, assim é a vida, são assim os homens, somos assim...

domingo, 29 de dezembro de 2013

"CONVERSAS COM MARIA" - Rita Bittencourt






Maria é uma mulher bonita , elegante, cheirosa. Agora está apenas cheirosa. Incrível como a idade e a amargura  apagam os traços antes marcantes e belos, o entusiasmo de disfarçar aqueles traços desfavoráveis com um batom, uma franja, um lápis no olho.
- Partiram todos.
-É eles partes...
- E quando vêm têm o desconforto dos estranhos. Perscrutam o teto, falam do tempo, cruzam e descruzam as pernas, não sabem onde colocar as mãos.
- É verdade...
- Não fixam os olhos em nós, como se lhes pudéssemos ler as almas.
-É...
-Almas que conhecíamos tanto...
- É mesmo...
- Almas que mudaram tanto. O que trazem nelas que não vemos mais?
- Não sei. Mudaram...
-Têm medo de que lhes desnudemos as entranhas.
- Talvez...
- Será que mudaram tanto, que não os conhecemos mais?
- Talvez...
- E essa casa que nos dias de festas era tão alegre? Sempre fiz questão de gruda-los em mim nessas épocas de Natal e Ano Novo. Isso aqui fervilhava... Uma alegria só, os fogos pipocavam ao redor, estrelas caiam por todos os lados, eu lá e cá dando beijos e abraços em todos, José,  hoje tão doentinho, naquela alegria toda, observando a festa e gargalhando. Isso aqui coalhava de amigos que não tinham pra onde ir, que solicitavam  "convite" (?) pra cear. Acolhíamos estranhos que hoje nos vêm e nos desconhecem.  Champanhe, comidas, frutas, doces... E sempre cabendo mais um, que chegava pelo meio da noite...
- Estive por aqui em todas, em todos os momentos, em toda a sua vida...
-É você nunca me abandonou.
-Não posso...
- Por que não pode? Todos fazem isso, mais cedo ou mais tarde!
- Inda não é a tempo, Maria, não é do meu feitio, sou a face sem rebeldia... Mas tenho uma mala pronta para partir quando for chegada a hora.
- Uma mala, você não precisa de mala, sempre dá um jeito em tudo!
-É modo de dizer... Não é uma mala de verdade, é o chegar da hora, é determinação, é destino, é mando de Deus. E por tudo isso  inda   não posso  porque  tenho muitos à minha volta que riem com o meu riso, que choram com o meu choro, que se esperançam com o meu entusiasmo e que não partem, assim, por não ter mais o que dizer. Não partem, simplesmente,  essa partida com presença, porque têm muito a me dizer todos os dias,  porque me amam. Por isso não parto, por eles, não parto por você, pois  eu sou você! E vamos arrumar essa cara, colocar um vestido branco lindo, iluminar esses olhos verdes que Deus lhe deu, passar um batom, arrumar os cabelos e esperar esse 2014 de peito aberto pro que der e vier! E quando tudo terminar a gente vai pra CURITIBA!
- Combinado!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Rita Bittencourt "Brincos Dentes-de-leão" - Joia Autoral

 
São assim como bichinhos mansos,
como lagartinhas,
como flores tocadas pelo vento
e que desfazem-se.
Dentes-de-leão,
flores da minha infância.
Etérea infância,
etérias flores,
etéria vida...
 
Brincos confeccionados em prata, ágata negra, contas de turmalinas, seda, pérolas e cristais-de-rocha, bicolores.

sábado, 14 de dezembro de 2013

RITA BITTENCOURT - "Como uma flor" - Um projeto.

 
Oh, rubra flor,
que perfume roubarei de ti?
 
Projeto de colar inspirado no MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Desenho artístico.

RITA BITTENCOURT - Um projeto....


 
Detalhes do desenho. O cristal esculpido especialmente para o projeto.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ourivesrock-um blog sobre ourivesaria


Blog do meu amigo Ângelo, um SENHOR OURIVES!  Tudo sobre ourivesaria. Saudades!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

RITA BITTENCOURT -"No infinito do meu pranto" - Joia autoral

 
Ah, não sabes que choro por ti,
pelos tempos que se anunciam,
pelos sóis perdidos
e luares eternizados no infinito.
Não sabes que choro por ti
quando minha face é só riso
mas o sangue que corres nas veias
gela minha entranhas.
Não sabes que choro por ti
quando velo teu sono
e vigio teu despertar
como um perdido na noite
que aguarda o dia
após a eternidade negra...
Não sabes que choro por ti
quando nem rezar  sei mais...
Não sei rezar mais por ti, nem por mim
e estou assim desde tempos, sem sossego,
à espreita. Bicho acuado...  

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Rita Bittencourt - Brincos "Olhar de Verão" - Joias Contemporâneas

Quero teu olhar ensolarado
como dias reverberados, de verão intenso.
Andas com olhar invernal, com pressa, qual vento sul redemoinhando
e não enxergas minha alma que canta...
Como um pássaro, canta por ti, por teus caminhos, por teu afeto,
canta por tantos, tantos afetos...
 Às vezes, canto de pássaro no fundo da gaiola, mas canta.
 Canto triste...
Um dia talvez, todos voltem, talvez tu voltes e deites em meu colo
tua cabeça de negros cachos aparados
rente, como usa-se por aí...
Talvez nos abracemos todos, de verdade.
E afagarei teus cabelos e beijarei tua cabeça.
Talvez me beijes, como antigamente, 
talvez inda dê tempo, antes do inverno...
 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rita Bittencourt - "PRESENTES DE NATAL"

      Sempre fui louca pelo Natal. Por essa magia que paira no ar e nos enleva e transforma e nos torna bons e crianças, e generosos, e entusiasmados. Por uns tempos esquecemos  as mágoas e dificuldades e vamos em frente com alegria.
      Meu Deus, como já fui feliz! Quantos natais maravilhosos, cheios de árvores, de renas imaginárias, de bolas coloridas, de estrelas brilhantes, de risadas roucas de Papai Noel! Quantos natais encantados cheios de magia e inocência, de esperas furtivas, de noites de sonhos! Eram simples mas tinham magia. Éramos pobres e felizes. Tínhamos uns aos outros...
Tinham sapatinhos nas janelas sim,  que limpávamos e engraxávamos para agradar Papai Noel. Tinham cartinhas para o Polo Norte, cheias de juras de amor ao bom velhinho e de mentiras a respeito do nosso comportamento nem sempre impecável. Pedidos possíveis e impossíveis. Histórias maravilhosas...
      Num Natal, minha irmã Cristina, pediu que nossa cadela Bolinha  " ficasse com a barriga cheia de cachorrinhos". Sorte! Bolinha pariu, na véspera do dia 25, uma ninhada de seis. Maravilhosos bichinhos! O presente sobrou para todos: Noites indormidas na solidariedade de ajudar Bolinha a cuidar das crias. Tetas  não davam conta de tantas mamadas... Mamãe fazia mamadeira de leite aguado... cachorrinhos se enroscando pelas nossas pernas com olhinhos fechados, tateando o mundo. Maravilhosos viralatinhas  que jamais  permitimos que saíssem de nossas beiras, por maiores que fossem os protestos de mamãe, mulher prática, decidida, vencida nessa luta, com a ajuda poderosa do papai que enchia mamãe de beijos e amolecia o coração dela piscando, de soslaio, pra gente. Nós, meninas exercemos, junto com Bolinha, o ofício de mãe. De cachorrinhos, é bem verdade, mas como verdadeiras mulheres e mães que nos tornamos. Solidárias,   amigas de nossa cadela que sempre foi a amiga de todas as horas e folguedos... Assim, aprendemos a ser amigos dos amigos, solidárias, presentes, felizes, felizes, felizes... Presente inesquecível!
      Noutro Natal, pedi uma caixa de lápis-de-cor com todas as cores que existissem. Queria ser pintora e pintar o mundo! Ganhei uma caixa de seis cores e, por muito tempo, aquelas foram para mim todas as cores do universo: azul, amarelo, vermelho, verde, branco e preto. Depois descobri que estas eram, mesmo, todas as cores do universo. Misturadas formariam todas as outras. Fui tão feliz com meus lápis... Meu Deus, como foram preciosos...
      Noutro Natal Regina pediu um pônei - morávamos no interior, quase roça, nos confins da Bahia, papai, um aventureiro que carregava sua família sagradamente para  onde lhe impelia seu ofício. Papai trouxe-lhe um filhote de jegue, emprestado por uns dias, de um amigo. Questionamos - "Mas, papai, isso é um jumento"! - Papai, esperto e enganador, retrucou: - "Não é. É só um pônei desengonçado e aproveitem pois o Papai Noel só o emprestou!" Não é preciso dizer que o nosso jumentinho foi o "pônei" mais maravilhoso que poderiam ter, três menininhas sonhadoras... Até que ele se foi...
      Noutro Natal Cristina ganhou uma franguinha que chamou Cocó. Queria pintinhos... E por muitos e muitos meses, colocou  a Cocó para "cruzar" com a pata. A pobre da Cocó já não aguentava mais aquele ritual de carregar a pata nas costas. Decididamente, nunca se amaram! Ganhamos, noutro Natal, três anáguas com grossas barbatanas na barra. Vieram de uma" Papai Noel" lá da cidade, de uma tia metida a estilista. Vitória, "cidade grande"... Parecíamos três abajures! Vestidas iguaizinhas, vestidos bordados pela mamãe, rabinhos-de-cavalo  e franjinhas emplastadas de sabonete para domar a rebeldia dos cachos. E felizes portadoras das "peças íntimas" mais cobiçadas  do vilarejo, orgulhosas, rodopiando com nossos vestidos, que nem baiana de escola de samba... E crescemos assim, carregadas de sonhos...
      O máximo, no entanto, foi nossa cabaninha de chocolates. Que tomaríamos posse um dia, disse papai... era uma questão de tempo, os negócios, viagens, etc. e tal... Ele, na Noite de Natal, lindo, solene, emocionado, com seu discurso mágico e encantador, nos descreveu o lugar, no meio de uma floresta distante, a casinha tosca feita de doces, as portas e janelas de lascas de chocolate, o telhado de suspiros, as paredes encrustadas de jujubas... Amo jujubas até hoje e elas ainda são mágicas... Ah, das torneiras saiam Q-suco. E sonhos... E por muito tempo papai "protelou" a nossa "posse" até que, maiorzinhas, e já espertas, paramos de cobrar para que o sonho não morresse. Queríamos que nossa cabaninha ficasse lá, nos aguardando para tomar posse um dia... O que nenhuma de nós jamais ousou! Anos mais tarde, mamãe nos confidenciou que aquele foi o Natal mais "duro" da nossa história, cheio de dificuldades financeiras, papai quase falido... Entretanto, o mais encantador, o mais rico e o mais fascinante presente que três menininhas amadas poderiam almejar. Papai nos ensinou a sonhar!
Presentes maravilhosos que contribuíram para que três mulheres, hoje maduras e mães, pudessem seguir pela vida cultivando asas, perseguindo sonhos e acreditando que o importante mesmo, é a essência. Por isso, desejo que nesse Natal todos cavalguem seus "pôneis" desengonçados, que descubram que as cores do universo não precisam ser infinitas, que tenham a sorte de ver uma ninhada de cachorrinhos , que almejem pintinhos e que, sobretudo, sobretudo mesmo, jamais tomem posse de determinados sonhos.
                         Rita Bittencourt - Do livro "As Lágrimas de Maria" - Contos, Crônicas e Poesias
            Isso foi escrito há  anos mas, hoje dedico esse quase Conto de Fadas, para minha neta, Maria Eduarda, já com onze anos, desejando que seu pai, meu filho, possa lê-lo também... 
    

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Rita Bittencourt - "ORAÇÃO"

Ó Mãe, Maria, Mãe de Deus e de todos nós
devolve a minha mãe por um dia.
Sabes do sofrimento da orfandade de mãe e de filho...
Dê-me uma noite pra prosar com ela,
 inteira e longa, de sono profundo,
e que ninguém me acorde,
nem o vento uivante ou trovões,
ou o claro ofuscante dos raios,
 ou batidas na porta fora de hora,
 ou o frio, ou a fome, ou a sede, ou a dor...
E que ela me ensine a bordar aquele ponto de nó
que nunca liguei de aprender,
que me diga a receita da cocada branca macia
que eu tinha na conta de que nunca iria precisar...
E que a gente gargalhe costurando um vestido rodado,
azul,  que nem o primeiro que ela me ensinou.
Quero contar notícias das meninas, do papai, de nós.
 Preciso d'alguns conselhos e ouvir a voz tão linda dela.
 Pode ser até um  canto triste, de amor impossível...
Nessa noite, pode ser...
 Quero saber como é o céu...
 E que nessa noite nos permita os beijos guardados
- todos!-
 e um abraço  apertado, de despedida,
pra sossegar meu peito agoniado e inflamado de pranto.
 Pra que, finalmente, a paz amanse meus dias
 e pra que minha alegria deixe de ser espreitante
como um olhar num buraco de fechadura... 
Ó Mãe, Maria, Mãe de Deus e de todos nós
me dê atenção e me mande esse sonho.
Amém!


"ENCANTADA" - Um Conto de Fadas - Rita Bittencourt

                     Ninamenina, uma aprendiz de fadinha, brincava de fazer mágica. Dessas, simples, de transformar cores, de colocar asas em bichos que não voam, de embelezar lagartas feias, de consertar patinhas machucadas de bichinhos arteiros, de dar asas a cobras...
                      Ninamenina sonhava em casar-se e usava sempre um diadema  de prata e pérolas e um véu longo  e branco que a fazia flutuar. Um dia, no meio de uma mágica com borboletas, que eram negras ,emaranhada numa revoada delas, resolveu colori-las. Pincelou-as de cores. As do Arco-Iris. Algumas escaparam e permaneceram negras pois pintar borboletas em voo é fogo! Ainda treinando, decidiu faze-las  estátuas. Parou o voo das borboletas, parou os bichinhos da terra, os pássaros no ar, parou o vento... E, num descuido irreparável, virou a varinha mágica para si mesma e transformou-se em estátua. Ficou assim, uma noiva incompleta, com um véu salpicado das borboletas que coloriu. Estática, puro espanto... Talvez um noivo quebre o encanto, talvez permaneça assim para sempre, mas creio que seu coração ainda bate emoção. Está apenas ENCANTADA...
                                                                  Rita Bittencourt

     Foto realizada pela equipe de fotógrafos da Casa Design 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Brincos "Azulejaria" - Rita Bittencourt - Joaçheria Contemporânea

Donde viestes
louça antiga?
Enfeitar belas por cá,
trazer notícias de lá,
doutras plagas...
Brincos confeccionados em laca japonesa e círculos recortados de
 pratos de porcelana inglesa, antigos. Prata, resina, e lápis-lazúli.

"Borboleta com Poás" - Colar- Rita Bittencourt - Joialheria Contemporãnea

Ela lá, estática, quase mimetizada,
 aguardava a hora do voo
que deu-se ao cair da noite
no silêncio solene
do descanso...
Foto dos profissionais da CASA DESIGN.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

CASA DESIGN 2013 - Rita Bittencourt - Joalheria Contemporãnea

ENCANTADA - Um conto de fadas
A Joalheria foi inspirada num conto de fadas escrito para o espaço, onde uma  atrapalhada aprendiz de fadinha, que voeja com um véu branco por aí, resolve pintar borboletas que pousam por toda parte, de todas as cores e tamanhos. A ideia é encantar adultos e crianças, mostrar uma joia às vezes  lúdica, às vezes forte, visivelmente orgânica, geralmente peças únicas, feitas para mulheres mais madura, que ousam, desafiam, que amam a arte, as cores e o fazer manual. Dessa forma não tenho compromisso com tendências, escola, acontecimentos. Apenas com minha alma ENCANTADA.
Praça N. Sra. de Lourdes,  345 - São Francisco - Niterói. Subida do Parque da Cidade
De 13/09 a 27/10/2013
Quarta a sábado de 13:00 às 22:00h
Domingo de 10:00 às 20:00h.
Estão todos convidados!
Ingressos : R$ 30,00 - Meia, R$15,00 - Serviço de vans, gratuito, na Praça N. Sra. de Lourdes até a Casa Design
Foto Rita Bittencourt
 

CASA DESIGN 2013 - Rita Bittencourt - Joalheria Contemporânea

Atendimento a clientes. Paredes em estuque veneziano confeccionado pela empresa Marco Polo Revestimentos.

CASA DESIGN 2013 - Rita Bittencourt - Joalheria Contemporânea

Os móveis pintados artesanalmente, com lápis de cor.

CASA DESIGN 2013 - Rita Bittencourt- Joalheria Contemporânea

CASA DESIGN 2013
Rita Bittencourt - Joalheria Contemporânea
Minha Joalheria em Niterói, cidade linda e acolhedora!
 

domingo, 18 de agosto de 2013

Brincos "Renda"

 
Renda-me
renda minha.
Rende as fímbrias
do meu pensar,
pincele de delicadezas
meu olhar
para que minhas mãos
rendam-se a sua beleza
e a transforme em joia.
Rendo-me...
 
Brincos confeccionados em ouro, prata, pérolas e turmalina melancia. Utilizei uma nova técnica de texturização, nascida de um erro. Trabalho meticuloso e delicado... Viva!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

"Folhas Negras" - Joalheria Contemporânea - Rita Bittencourt

 
Gosto delas assim, enegrecidas,
como se colhidas da terra,
 que, generosa,
 as empresta
 do seu sustento...
E quando uma mulher sai por aí
com elas a oscilar, ganham vida.
Baila no ar o perfume de mulher, inconfundível,
mesclado com o perfume de folha e terra.
Uma procissão acompanha seu caminhar
meio encantada.
Ela segue em frente, sem saber... 
 


terça-feira, 9 de julho de 2013

"Feitiço" - Rita Bittencourt

 
 
 
                      Ele colocou-lhe um feitiço, dos brabos, de amor, coisa de muito gostar... E aquela mulher linda, que, até o amava um pouco, mas não era coisa de casar, vestiu-se de noiva... E beijos de paixão foram muitos, de submissão  - tantos! - de enfeitiçamento, todos! E ao observar aquela mulher que se dava aos poucos, pela metade, partida, um pouco dele, outro tanto não, quis deixa-la partir para  que ambos fossem felizes. Mas morreu o feiticeiro levando com ele o feitiço e a forma de o desfazer... Foram infelizes para sempre, agarrados a pedaços um do outro, presos em gritos e lamentos e uivos de quase amor sem que nunca fosse. Morreram velhos, brigando, desencontrando-se, deixando uma prole triste que nunca entendeu o porquê daquilo que chamavam doença. Foram todos infelizes. Herdaram o gen...
 
 
Velha Sará, anjo da minha infância, misto de babá e cozinheira, que o melhor que nos deixou foram seus relatos, às vezes inventados, outros, acontecidos, repetiu várias vezes essa história, entremeada de lamentos e quase lágrimas... Muitas vezes chorei por essa família triste e ela me aconchegava em seus seios fartos e eu podia ouvir o seu coração pulsar acelerado.  -"Chora não, minha menina, vou contar a história do saci"...

sábado, 29 de junho de 2013

Rita Bittencourt - Autora de Joias

Hoje eu iria poetar tristezas. Fica aqui a alegria da flor...

sábado, 15 de junho de 2013

"Pra quando o Carnaval chegar"

 
Quando o Carnaval chegar
vou te abraçar e te beijar
envolta em verdes plumas
e olhar esfumaçado de esperas.
E meus beijos, serão de amor, meu amor,
e de saudades do que veio e virá
e de saudades do que jamais virá...
 
Anel em prata oxidada, ouro e penas de galo. Confeccionado com técnicas tradicionais de ourivesaria, tapeçaria e bordado. Mesmo que repetidas as peças são, sempre, únicas devido às características de materiais e confecção.

Esta peça, bem que poderia chamar-se " Cisne Verde, Cisne Negro". Meio triste, carreguei na oxidação, as plumas, escolhi as mais escuras, os dedos, furei várias vezes ao uni-las, num bordar sem fim, e a montagem foi desfeita duas vezes pois sempre "faltava" uma peninha a mais, no centro. Exausta, após um dia, inteirinho, dedicado ao anel, quando saí deixei a janela do atelier aberta e ao chegar no dia seguinte, o anel parecia o "Patinho Feio" saído do ovo. Aí, já era outro dia, a tristeza havia ido embora e alisei cada peninha sob o secador até que ganhassem vida.  Portanto, poderia, também, chamar-se, simplesmente, de CISNE!


terça-feira, 28 de maio de 2013

Brinco "FOLHA SECA" - Rita Bittencourt - Autora de Joias

 
VEJO DEUS
 
Folhas que caem, secas,
na hora certa de cair,
sopro de Deus.
Observo quando passam,
bailando, por mim,
tangidas pelo vento.
Acompanho o rumo que tomam,
encantada...
Como pássaros, voam,
ganham os céus
 e tombam de volta à terra,
cevando-a para novos
renascimentos.
Nesse momento, ORO,
pois é a hora que VEJO Deus!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

"Houve dia"... Rita Bittencourt

Houve dia
de coração gretado de tanta secura,
úmido de tantas lágrimas,
lavado na dor,
amortecido de conformação,
batendo, só,
o tanto de permanecer vivo...
Houve dia
de coração absolutamente
pleno e grato,
entoando cantos, embalado no riso
e na alegria, tanto,
que, disparado, achava
que nunca iria deixar de ser feliz!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

"Cavalo- Marinho" - Rita Bittencourt - Joias Autorais Contemporâneas

Cavalo que navega
sem arreios, rédeas, açoite ou esporas,
LIVRE,
em mar azul...
Cavalinho, Upa, Upa!
Leve-me às profundezas desse mar
para que meus olhos aguem, deslumbrados,
para que meus braços e minhas mãos
 singrem as águas com meu nado,
para que minhas pernas e meus pés
 me impulsionem pra frente,
para que meu corpo ondule-se em dança
e meu canto, finalmente, rompa as amarras
e flua.
Para que, assim,
 SEREIA,
quede-me por lá,
no azul do seu mar,
ENCANTADA.
 
Joia única, confeccionada com a técnica de Mokumé Gané,  que imita os veios e nós  característicos da madeira, reproduzindo-os através da união de metais não ferrosos, tais como ouro, prata, cobre e ligas desses metais que conferem, às interferências, vários tons. Originária do Japão há mais de quatrocentos anos, mantida em segredo por muito tempo, ornamentava  os cabos das espadas dos samurais. Generosamente ensinada pelo professor Garlos Godoy, mestre nessa técnica no Brasil.

terça-feira, 16 de abril de 2013

"Brincos Raias" - Rita Bittencourt - Joias Autorais

Seguem em cardumes
ganhando outros mares.
Longínquos
e desconhecidos mares,
cumprindo a sina de peixe...
Como filhos que partem
e não voltam,
cumprindo a sina
de partir sem olhar pra trás,
deixando ocos buracos que jamais
se fecham...
 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

"Solidão" - Rita Bittencourt

 
Olho lá fora
e a solidão do silêncio
emperra-me, ata-me.
Há névoa e chuva fina
e o espelho d'água,
 que nivela a terra,
reflete cinzentas brumas
e um pássaro negro
de asas arqueadas e pesadas...


segunda-feira, 25 de março de 2013

"Caracolando" - Anel Geodo - Joia Autoral -Rita Bittencourt

Caracolando,
mil voltas dei.
Para que te fizestes assim,
negro como breu, lambeu-te  água e  fogo.
Mil voltas dei
pra revelar suas entranhas belas,
de brilhos sutis,
escondidos.
Como pessoas que se guardam...

terça-feira, 5 de março de 2013

"Lírios para Mamãe" - Joias Autorais Contemporâneas- Rita Bittencourt


"Carta"

 
Querida mamãe,
Por onde andas, nunca mais soube de ti. Tantas saudades... Indagorinha ao me aprontar para ir para o atelier, peguei uma blusinha de croché que fizeste pra mim, aplicada de florinhas brancas e morri de saudades...  Tão amarelada. Vou lavar... Desde que partiste estou tão sozinha. Ando buscando os mistérios pra alicerçar minhas crenças mas - vais se zangar, sei - estou perdendo a fé. Dê-me notícias pra eu não me perder, por te perder... Ando trabalhando sem tréguas, limando, lixando, pintando e preparando minhas joias. Ando , até, cravando, em agonia... Coisa tão difícil... Mas, ando inventando caixas para abarcar as pedras sem aquele trabalho dos verdadeiros profissionais. Tento me virar pra não ter que ir ao centro atrás do cravador.  Pego-me planejando, ao terminar cada joia, mostrá-la para ti... Gostavas tanto de vê-las... Às vezes pego o telefone pra ligar e fico  sem graça, pensando que a velhice anda me tomando de vez...
Domingo fiz "comida boa" pra minha famílinha... Vina, Duda, Tainá, Edinho, papai e uns amigos do Vina... Coloquei um prato a mais na mesa, te esperando... Riram de mim, que "contei errado". Deixei pra lá e fiz de conta que me atrapalhei. Foi um bom domingo...
 Hoje o dia vai ser duro pois amanheci com uma saudade de séculos e estou meio desorientada. Mas, graças, tenho que engolir o choro pra não me verem chorar e entristecer a família toda que vive em função de minha felicidade, como sempre, eu que sou tão amada... Grata por isso.
Pois é, antes que a turma acorde e veja minhas lágrimas, e aconteça uma tristeza geral, paro por aqui pedindo a Deus que me acalme, que lhe diga que, mesmo com tanta saudade, estou bem, ando triste, mas vou melhorar...
Sabes aqueles lírios azuis que me destes? Andam florescendo, dando mudas, já viraram joias...
Papai está bem. Sempre lendo, bonzinho, não dá trabalho. Um amor! As meninas, vivendo as vidinhas delas, e não mudou muita coisa. Creuza morreu, deves saber... Tia Laurinha também... Edinho tá meio doentinho... Peço a Deus que não o tire de mim, senão, não resistirei! Mas não fiques apreensiva, pois sabes o quanto ele é cuidado... Dê-me notícias, por favor, mamãe... Em sonho, um perfume, um vulto... Não tenho medo dos mistérios...
Amor, amor, amor,
Sua filha,
Rita
P.S.: Veja a joia que teus lírios me inspiraram!
 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

"Des-Vênus- Escultura - Rita Bittencourt

 
Des-Vênus,
desnuda,
anônima,
guardada em caixa,
perdeu os pés...
Sem eles
irá a lugar nenhum
e nada verá  e nada dirá
pois  sua boca e seus olhos
não despontaram.
Não verão flores,  seus olhos,  nem sua boca
contará histórias...
E seus ouvidos fechados
não ouvirão risos ou ais.
Farta em proporções espere, talvez, prenhe,
um filho escondido em seu oco de barro,
que jamais virá à luz,
que jamais sugará seus seios.
Tão incompleta, mulher de barro,
sem o sopro divino!

 
Há tempos atrás começei  meu trabalho esculpindo o barro. Tenho fascinação pelos volumes, pela sinuosidade, pelas curvas... Daí nasceram as esculturas, sempre mulheres sem olhos, ouvidos ou boca... Não sei porquê... Talvez representassem o meu silêncio e alheação no momento em que elas eram concebidas, tamanho o mergulho nas minhas profundezas, gestando essas filhas estáticas... E, hoje encontrei essa, numa caixa, já sem os pés. Provavelmente foi violada e como está em barro ainda crú, não resistiu à curiosidade não sei de quem... Restou um esboço de assinatura - Rita - num dos pés mas restou mais: minha alegria em reencontrá-lo como se, assim, sem a queima que a desfragilizaria, fosse ainda o meu bebê aguardando cuidados. Ando me emocionando tanto...
 
 


sábado, 16 de fevereiro de 2013

"Para Marina" - Joia Autoral - Rita Bittencourt

 
E partiu assim,
como quem não quer nada,
sem tempo para belas fotos
ou registros...


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

"Ausência"

 
 Peguei-me colocando
 um prato a mais,
na mesa,
pra você.
Deixei-o ficar...
Fingi que vinha
pra jantar...
 
Foto Rita Bittencourt

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Brincos "Orquídeas Verdes" - Rita Bittencourt - Joia Autoral


Gosto deles assim,
feito bichinhos verdes
aguardando a maduragem
e a colheita...
 
Joia em prata,  laca japonesa e murano.
 

domingo, 6 de janeiro de 2013

"Brincos Sonho" - Joia Autoral Contemporânea - Rita Bittencourt

Estavas feliz, olhando-se no espelho.
Não me aproximei para que não fugisse,
feito um passarinho...
 
Brinco único em cobre, prata, ouro e muranos.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

"Luas Azuis" - Brincos - Joia Autoral Contemporânea - Rita Bittencourt


Qual lua me guia,
qual sol me ilumina,
qual deus me protege,
qual choro me cala,
qual morte me abraça?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

"Anel Caviar" - Joia Autoral Contemporânea - Rita Bittencourt

 
Lembram-me caviar
boiando em gelo...
 
Quantos peixinhos ficaram por nascer,
quantos, ainda, irão perecer,
quantas mentiras teremos que ouvir,
com quantas, delas, teremos que assentir,
quantas vidas teremos pra viver,
quanto tempo nos resta pra morrer?
 
Anel elaborado em prata, pedra de vulcão esculpida artesanalmente, cobre, bolinhas de murano e pérola.